#01 | O Arquivo
- Daniela Martinho

- há 6 dias
- 1 min de leitura
Nesta rubrica, guardo textos de outros autores que encontrei pelo caminho e que, de alguma forma, decidiram ficar comigo. Na hora de pôr a mesa, éramos cinco.
Na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. Depois, a minha irmã mais velha casou-se. Depois, a minha irmã mais nova casou-se. Depois, o meu pai morreu. Hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. Cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho. mas irão estar sempre aqui. Na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. Enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco. — José Luís Peixoto, in 'A Criança em Ruínas'

Notas de Rodapé
Há textos que lemos e ficam connosco.
Volto muitas vezes a este pequeno texto de José Luís Peixoto pela simplicidade que retrata a ausência e a memória daqueles que já não estão connosco.
Lá em casa, na minha mesa, éramos três. Felizmente, agora somos quatro. A vida tem destas coisas.
E tu, há algum texto que continues a guardar depois de o leres?
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